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Exatamente no dia 02 de janeiro de 1872 chegava às livrarias da Alemanha O nascimento da tragédia a partir do espírito da música, escrito por um jovem professor de Filologia, da Universidade da Basiléia na Suíça. Friedrich Nietzsche enfrentava, com o livro, toda uma tradição já estabelecida de interpretações da tragédia grega. Os primeiros leitores, com raras exceções, o criticaram com veemência. Foi preciso esperar a virada do século XIX para o XX, para que esse pequeno livro pudesse encontrar leitores entusiasmados, em especial artistas. Hoje, “apolíneo e dionisíaco”, “socratismo estético” e tantas expressões que aparecem no livro fazem parte do aparato filosófico no campo da estética, mas não sem tensões, invencionices, excessos e mal-entendidos.

150 anos depois de sua publicação, o que ainda podemos dizer, não apenas “sobre” ele, mas igualmente “a partir dele”?

Para relembrar a data, a Faculdade de Filosofia e o PPGFIL da UFPA e o PPGF da EFLCH/UNIFESP se unem num colóquio com a presença de convidados e convidadas do Brasil e do exterior. Em breve mais informações sobre a programação.

Por Márcia Carvalho

Dona Militana é uma reconhecida romanceira brasileira. Nascida no sítio Oiteiros, em São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, em 1925 [...]. Dona Militana foi descoberta pelo folclorista Deífilo Gurgel ainda nos anos 1990, quando ele pretendia entrevistar o seu pai, Atanázio, mestre do fandango. Desde menina trabalhava com o pai na roça, e o ouvia cantar histórias e romances, além de entoar aboios e fandangos. Assim, Dona Militana continuou a cantar os romances que aprendeu com o pai, além de inventar mais alguns, num canto criativo aberto a reinvenções.

Por Alexandre Squara

Se 2020 tivesse sido um ano normal, um dos nomes que mais teríamos ouvido falar é o de João Cabral de Melo Neto cujo centenário teria se celebrado. É certo que a pandemia não corrompeu a matemática nem o avanço do tempo, o poeta pernambucano encontrou o centésimo ano a partir do nascimento, mas – como tudo que não é vírus, doença e morte foi ofuscado em 2020 [...] Cabral fez cem anos no pior ano da história recente do mundo, e este fato, de alguma forma, pode ser a grande homenagem que o espírito do tempo prestará ao poeta.

Por Francisco Fontanesi Gomes

"Com sua simplicidade quase elegante e quantidades exorbitantes de nicotina, sua História com a intelectualidade é algo que também se compra, caro leitor, quando se compra um maço. Sua simbologia é tão importante quanto o produto em si. [...] Bom, meu ponto está exatamente nisso, caro leitor. Tentar refletir um pouco sobre essa origem da carga simbólica do cigarro e, em especial, a carga simbólica do cigarro transmitido pela pintura. E não há, caro leitor, um artista em que o tabaco esteja em mais evidência do que no norueguês Edvard Munch (1863-1944)."

Por Clarice Sabino

"No primeiro instante é isso

ficar

pacientemente sentar

nessa mesa vazia

até que o espaço se arredonde

em pequenos grãos e tudo em volta

se encha de brilhos e risadas"

Por Suzana Maria Loureiro Silveira


Entre a cidade ideal e a cidade material

Condições negam o real

Mas o que é real? Ou o real para quem?

Realidades, diversidades, multipli-cidades

Homogeneidade.

Por Lucas Carvalho Lima Teixeira

Síntese, marca estética, êxtase: curta e grossamente, esta tríade parece agremiar alguns dos aspectos importantes que se oferecem para a demarcação da tarefa e do desafio do curta-metragem no audiovisual – desafio que Paula Gaitán acolhe como se fosse um venho e conhecido amigo e tarefa que desempenha com certa naturalidade em seu Se Hace Camino al Andar (35 minutos, 2020).

Por Sergio Carvalho da Fonseca

A cena era a seguinte: um garoto adentra ao palco carregando um caixote de engraxate nas costas. Ele caminha entre duas fileiras de sapatos organizados dos mais surrados aos mais novos, representando as classes sociais. O garoto começa gritando “graxa, senhor” com uma animação inicial, entre os sapatos de classes mais baixas, que vai se esvaindo perante a pressão social dos sapatos mais novos, até quase sussurrar o oferecimento de seu trabalho.

Por Francisco Fontanesi Gomes

Olá novamente, caro leitor. Hoje vim lhe trazer um quadro um tanto quanto distante de nossa tradição ocidental, mas que diz tanto sobre a Rússia de ontem e de hoje quanto a visão do que é governar como um autocrata. Muitos tiveram a possibilidade de acompanhar a minissérie produzida pela HBO, Chernobyl, de 2019. [...] Mas agora, caro leitor, você deve estar se perguntando: “Mas por qual motivo estamos falando dessa série? O que ela mostrou que chamou tanto a atenção e o que isso tem a ver com a autocracia na Rússia?”

Por Stela Cristina de Godoi

No final da primeira década deste século dediquei-me com afinco à disciplina escutatória. Escutei muitas histórias do trabalho e da tortura. A narrativa operária de meados do século XX parece ser a manifestação perfeita do significado etimológico de trabalho, como “tripálium”. Ser levado para as sessões de tortura nos porões do DOPS com o “macacão ainda molhado de suor” do trabalho é a expressão máxima do “tripalium”. Uma mistura sombria de trabalho e tortura.

Por Sandro Kobol Fornazari

Euphoria (Sam Levinson, HBO, 2019) é uma série de televisão para adultos sobre adolescentes, e também para adolescentes que não sejam infantilizados. No entanto, não é bem assim. Não é sobre adolescentes, mas sobre a maneira como eles se deparam com um mundo onde os adultos estão ausentes na medida em que são incapazes de sustentar parâmetros para uma vida social minimamente saudável para suas filhas e seus filhos. [...] Euphoria é a primeira série pós-pandemia a expressar esse mundo como ausência, sem horizontes, sem promessas de felicidade sobretudo aos mais jovens a às crianças.

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